domingo, 22 de março de 2009

“COMO USAR O DESENHO ANIMADO PARA AUXILIAR O ENSINO DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO E LEGISLAÇÃO”

O roteiro aqui proposto foi desenvolvido e testado no decorrer da minha atividade profissional no ensino médio e técnico nos anos de 2005 e 2006 e no ensino de graduação tecnológica desde 2007, tendo como foco a mesma disciplina, diferenciando apenas na complexidade da abordagem em cada nível educacional. Esse fato demonstra que, independente da idade, o desenho animado fascina o aluno e auxilia no aprendizado. Essa experiência fez parte da minha dissertação de Mestrado profissional em Ensino de Ciências e foi baseado na Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) e na “Mídia-Educação”.
A experiência serviu para afirmar a utilização de cinema de animação não só para crianças, mas também para adolescentes e adultos. A intenção dessa atividade é o de se extrair sentidos de uma manifestação artística que já está pronta, analisando-a. Permitir que os alunos façam suas correlações individuais para formar significados próprios, à luz dos conceitos que foram comentados em sala de aula.
O roteiro será descrito para o contexto de Boas Práticas de Fabricação e Legislação, entretanto, adaptações poderão ser feitas para outras disciplinas.

Filme utilizado - Monstros S.A


roteiro
1. Essa estratégia deve ser utilizada após a abordagem em sala de aula do assunto que se deseja discutir. No caso da disciplina de Boas Práticas, a estratégia foi utilizada após a apresentação de todo o conteúdo programático com aulas expositivas
2. O professor deverá selecionar os temas constantes do conteúdo programático da disciplina que pretende enfocar e discutir por meio de desenho animado. No caso da disciplina de “Boas Práticas de Fabricação e Legislação” foram dez, a saber: (1) Documentação e registros; (2) Descontaminação; (3) Treinamento; (4) Limpeza; (5) Uso de equipamentos de proteção individual – EPI; (6) Destruição de material; (7) Alimentação dentro da fábrica; (8) Segurança; (9) Registros em tempo real; (10) Organização industrial.
3. A partir de então, é o momento da seleção do desenho animado. É preciso assistir muitos desenhos, na íntegra, mais de uma vez e procurar a correlação dos temas centrais da trama com os conteúdos que se deseja abordar em sala de aula.
4. Sistematizar uma lista onde figure todos os pontos de interesse no desenho, para que se tenham parâmetros de comparação com as respostas dos alunos.
5. Verificar o tempo disponível em sala de aula para a aplicação da estratégia.
6. Antes da exibição os alunos devem ser orientados a assistir a fita sem fazerem comentários um com os outros. Se houver tempo, ou necessidade o desenho pode repetido.
7. Conduzir a exibição do desenho na íntegra ou o trecho selecionado.
8. Após a exibição solicitar aos alunos a preparação de um trabalho escrito individualmente, sem comentários com os colegas, em que constem as associações individuais entre as cenas exibidas e o assunto de interesse a ser apreendido pelo educando.
9. A produção do trabalho escrito individual servirá para avaliar como acontecem as interrelações individuas acerca dos conteúdos abordados em sala de aula de maneira tradicional, sendo resgatados de maneira não convencional.
10. Após a entrega dos trabalhos escritos individualmente, a discussão deve ser iniciada, de forma que todos possam trocar suas percepções.
11. A abertura para a discussão sobre os temas despertados com o desenho servirá para promover a reflexão sobre o que se aprendeu em sala de aula, fazendo uma ponte com a vida prática.
12. Após o término da exibição incentive os alunos a reverem a fita no todo em casa, já com o “olhar treinado”.
13. Solicite que os alunos procurem em casa outros títulos de desenhos animados que estejam relacionados com a disciplina e construam um pequeno texto promovendo uma ponte entre a disciplina e enredo da história.

ATENÇÃO: Alguns cuidados devem ser tomados para que a estratégia logre êxito. Descrevo a seguir algumas críticas que se configuraram em entraves no bom andamento no decorrer do meu trabalho:

a) É importante, antes de fazer uso da estratégia, se assegurar da disponibilidade de local para a apresentação do desenho. Verificar se som está audível para salas de aulas e turmas muito grandes.
b) Verificar se a escola conta com o equipamento necessário e compatível com a mídia onde está o desenho;
c) Instalar e testar o equipamento antes da exibição e de preferência já colocar o desenho no ponto certo de interesse para a exibição;
d) Explicar minuciosamente para os alunos o que se pretende com a estratégia, que tipo de avaliação será feita e quais as regras a serem seguidas.
e) Se for uma animação em longa metragem e a aula contar somente com 50 minutos, procure exibir somente um pequeno trecho da fita que seja mais importante para a discussão.
f) É aconselhável sondar o gosto e a preferência da turma antes de usar esses recursos. Nem todas as pessoas acham que o desenho animado é apropriado para a idade. Adultos podem achar a prática demasiadamente infantil e, adolescentes tendem a negar atividades que os vincule às crianças.
g) Explique detalhadamente o que se pretende extrair de sentidos antes de exibir a fita, caso contrário, o aluno poderá encarar a atividade como entretenimento e não terá um bom aproveitamento da prática, dispersando-se.

POTENCIALIDADES:

1) O desenho selecionado foi Monstros S.A da Pixar Estúdios, e a disciplina foi “Boas Práticas de Fabricação”, que aborda entre outros assuntos, os fundamentos para um bom funcionamento de uma fábrica. O desenho animado foi escolhido por conter claramente pelo menos 10 princípios fundamentais de BPF facilmente identificáveis. Os alunos foram convidados a analisar e sinalizar no desenho animado os tópicos abordados em sala de aula, preparando em seguida à exibição um trabalho escrito individual, detalhando:
(a) quais os fundamentos de BPF que você identificou na fita;
(b) se os fundamentos identificados estão certos ou errados dentro de nosso contexto de trabalho;
(c) por que estão certos ou errados e de acordo com que norma.
2) Mesmo que em princípio, o professor tenha sinalizado 10 fundamentos que figuram explicitamente no desenho, algumas vezes, dependendo do comprometimento do aluno e da motivação em aprender, outros conceitos subjacentes foram assinalados por eles.
3) Essa estratégia de ensino pode substituir uma avaliação convencional, que por vezes pode trazer certo nervosismo ao aluno, comprometendo seu desempenho.
4) Não se preocupe se o filme não for todo exibido. A técnica não tem compromisso com entretenimento e sim com as associações mentais que cada aluno pode fazer a partir dos subçunsores apresentados nas aulas teóricas. Com essa estratégia de ensino é possível fazer a ancoragem de conceitos prévios.Enfatize que a técnica não serve somente para discutir o assunto específico da disciplina, mas também para aguçar a percepção, fato que facilita no aprendizado em outras áreas também.

17 comentários:

  1. Leda,
    Seu trabalho, com certeza, é de grande valor. Tornar as aulas mais dinâmicas, atraentes, atuais e coerentes com a realidade em que vivemos hoje deve ser o objetivo de todo professor. Suas sugestões podem ser adaptadas e resignificadas em cada disciplina.
    Parabéns!
    Elizabeth Augustinho

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  2. Leda,
    Parabéns pelo seu trabalho,profissionais como voce nos incentivam a continuar lutando pela educação.
    Temos que tentar tornar nossas aulas mais atrativas e suas ideias podem ser utilizadas por várias disciplinas.
    Sandra Lopes Gomes

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Oi Leda, muito bom seu trabalho, você sabe que uso este artifício na educação à algum tempo e tem dado certo, os alunos produzem um material muito valioso.Parabéns!Bjs Therezinha Barbosa Cunha

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  5. Leda, já desenvolvi uma pesquisa em Educação Matemática para o Ensino Médio cujas estratégias de ensino tiveram características lúdicas e posso imaginar o quanto o seu trabalho trará resultados surpreendentes e relevantes para a formação dos agentes envolvidos no processo de aprendizagem e valiosas contribuições para o Ensino de Ciências. Parabéns pela inovação! Bjs,
    Luziane Beyruth Schwartz

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  6. Olá Leda, o trabalho do professor de ciências deverá ser o mais dinâmico possível, com utilização de tecnicas que possam despertar no educando o gosto pelo estudo. Já utilizei as duas técnicas estudadas por voce. O teatro é muito dinâmica pois envolve diferentes atividades, desde a criação do texto até a interpretação.Quanto ao desenho animado creio que, sendo possível a sua produção pelo aluno,o processo será completo por envolver não somente a análise mais a construção do instrumento. Parabéns pelo maravilhoso trabalho que será de grande utilidade para os docentes de todas as áreas. Fique em PAZ.
    José Airton Monteiro

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  7. Acredito que, quanto seja possível, devemos aproveitar quaisquer possibilidades de contextualização dos conteúdos que temos que desenvolver dentro das disciplinas que ministramos. A aplicação lúdica das informações tendem a ser adquiridas pela mente humana com muito mais prazer do que o que se institucionalizou como conhecimento formal. E, muitas vezes aquilo (algum conteúdo) que alguém diz ser impossível ser transmitido de maneira fácil e com alguma simplicidade, é porque ainda não se esmerou por tentar fazê-lo através, por exemplo, de estratégia como essa.
    Karla Pinto.

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  8. Bom, Muito bom! Como professor, é importante interagir cada vez mais com o aluno. Isso, contribue para o crescimento de ambas as partes. A vida é um constante aprendizado. É facil perceber que esse tipo de didática, referida no texto acima, contribue sim e com grande valor para a formação de um indivíduo. Creio que é certo tentar todas as formas até encontrar a que mais se encaixa no contexto sugerido. É possivel que um aluno posso assimilar muito melhor a idéia central de um determinado assunto, lançando mão de uma estratégia como essa, visual. Há Casos e Casos. O importante mesmo é não desistir, como bom mestre, de contribuir da melhor maneira possível para a formação de seus "pupílos"
    Erica Rezende.

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  9. Também gostei muito desta estratégia. O desenho animado geralmente desperta interesse em todas as faixas etárias e o fato de ter sido usado para avaliação deve ter proporcionado um resultado mais próximo do conhecimento constituído pelo aluno, uma vez que o fator nervosismo estava ausente. Parabéns pela iniciativa!

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  10. Cara Profa. Leda
    Meu nome é Waldmir Araujo Neto sou professor do IFRJ no Campus Maracanã. Faço essa visita ao seu blog no intuito de contribuir para sua pesquisa conforme solicitação encaminhada por email a uma lista de distribuição.
    Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo trabalho e pela iniciativa de procurar elaborar novas estratégias de aprendizagem.
    Contudo, gostaria de saber como a metodologia proposta em sua estratégia se comunica com seus referenciais teóricos. Acredito que isso valorizaria ainda mais seu trabalho. Nesse mesmo sentido verifico que você encaminha discussões em torno do coneito de "perceção", e acretido que seria bom vincular que teoria da percepção conduz sua análise.
    Particularmente gostaria de sugerir um viés que levasse em conta tanto o teatro como cinema como "meios mediais simbólicos", ancorados na mediação semiótica de Vigotsky, por exemplo. Na minha opinião acho esse referencial estaria mais próximo do que a questão da aprendizagem significativa ou de uma construção do conhecimento. Ainda a respeito disso, temos visto algumas pesquisas que não circulam completamente seu entendimento sobre "construir conhecimento", tenho certeza que este não é o seu texto monográfico, mas me lembro de ter considerado o próprio BLog como um produto de mestrado profissional no email da lista.
    Especificamente quanto a estratégia, já participei em algumas dinâmicas de uso de filmes em atividades de sala de aula. Coloco como sugestão a provocação de algumas perguntas aos alunos, isso permite, em alguma medida, manter o foco com relação em situações de "crise" quando há debates.
    Peço que me desculpe me alonguei nos comentários, de qualquer forma estou à disposição pelo e-mail waldmir.neto@ig.com.br.
    Forte abraço e felicidades com o projeto.

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  11. Oi Leda, parabéns pelo seu trabalho que é de grande importância para o aprendizado de uma variedade de disciplinas, por se tratar de uma estratégia dinâmica que proporciona aos alunos que participam um grande prazer em aprender de uma forma mais descontraída o conteúdo da disciplina oferecida, além de assimilar com mais facilidade.
    Bjs,
    Alice Nunes.

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  12. Olá, Leda!!! Sou aluna do prof. Sidnei.

    Parabéns pelo belíssimo trabalho... Estou tentando desenvolver uma monografia em Língua Portuguesa ressaltando essas práticas inovadoras em sala de aula...Com certeza já estarei aproveitando essas metodologias no meu trabalho.
    Abraços,

    Cida Zani

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  13. OLÁ LEDA,

    PRIMEIRAMENTE, QUERO TE PARABENIZAR PELA INICIATIVA. O TRABALHO DOCENTE É ÁRDUO E DINÂMICO. BUSCAR NOVAS ESTRATÉGIAS DE ENSINO É CONTRIBUIR, DE MANEIRA EFETIVA, PARA A MELHORIA DA PRÁTICA DOCENTE. CONTE COM MEU APOIO! CARLOS ALEXANDRE MARQUES
    COORDENADOR DO CURSO DE TECNOLOGIA EM QUÍMICA DE PRODUTOS NATURAIS DO IFRJ, CAMPUS NILÓPOLIS

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  14. Olá Lêda,

    Estou, agora, reparando uma falta terrível que cometi com você. Eu postei um relato de experiência em seu blog, porém, não fui feliz ao fazê-lo, já que não consegui salvá-lo devidamente. Primeiro, devo fazer alguns esclarecimentos.Para quem não me conhece, sou graduada em História com mestrado em História das Ciências da Saúde. Sendo assim, transitei pelo ensino de Ciência por força da minha formação e atuação em Museus de Ciências. Irei narrar algumas experiências, de maneira breve, para melhor contribuir com os seus objetivos. Elas estão localizadas tanto no campo do Ensino de Ciências, como no campo da História e ocorreram em vários níveis de ensino. Pois bem, vamos lá:

    1.Uso do Cinema para o Ensino de Ciências (mini-curso ministrado no ComCiência , edição de 2005, no colégio Vicente Rijo, Londrina, para formação continuada de professores da rede pública do estado do Paraná). Utilizei o referencial teórico da História para a análise da linguagem do cinema para abordar o uso de cinema no ensino de Ciência, com o objetivo de fugir do tradicional debate: “isso não é científico, isso é científico”, buscando ampliar a discussão para os significados culturais, atribuídos pela sociedade, para os elementos constituintes do universo científico (no caso as representações acerca do cientista, os usos dos conhecimentos científicos, aspectos éticos, econômicos e políticos envolvidos na produção do conhecimento científico e seus usos). Público: professores de todas as disciplinas: principalmente ciências da natureza, porém, com participação da área das artes e colegas das ciências humanas, também. Procedimentos de ensino: discussão sobre o filme como documento histórico do período de sua produção. O filme, fala mais de quem o fez e do momento em que foi produzido, do que o aparente conteúdo apresentado. Como dizemos na história, temos que assistir ao filme e atentar para o implícito, o não dito (ou entrelinhas do discurso). Sendo assim, tratei o filme como documento histórico e elaborei um roteiro de passos para apresentá-los em sala de aula e posterior discussão com os alunos (para o uso dos professores presentes no curso). Resultados: os professores aprovaram as contribuições e admitiram que a prática tem sido colocar o filme como substituto absoluto do professor. Os próprios professores reconheceram que essa prática empobrece as possibilidades educativas do filme. Também reconheceram que o filme não pode ser um prêmio ou uma pausa de descanso para os alunos ou o docente, ao término do ano letivo. Propostas de organização de cineclubes e ciclos de cinema surgiram. Como muitos são de cidades pequenas, sem opção de lazer e cultura, a escola tem atuado nessas áreas. A exibição de filmes, mesmo como atividade pedagógica amplia o universo cultural dos alunos de localidades distantes e isoladas. (continua no próximo post)

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  15. (cotinuação do post de Lúcia)
    2.Uso de filmes e documentários em sala de aula de cursos de licenciatura em História (Universidade Estadual de Londrina, a partir de 2007). O uso de filmes nos cursos de graduação em História (licenciatura e/ou bacharelado) já é corriqueiro. Infelizmente, não é porque estamos na universidade que não ouvimos falar da ocorrência de procedimentos errôneos como os apresentados acima. Entretanto, o que tenho visto é o uso adequado, isto é, uso de roteiro de apresentação (introdução do filme pelo professor, com pesquisa prévia, etc..acompanhamento da exibição e posterior debate em sala de aula). Algumas vezes, pede-se uma resenha crítica do filme para os alunos, porém, o mau uso da internet tem propiciado uma avalanche de cópias de artigos publicados na web. O que tenho feito é exigir que os alunos façam uma discussão baseada em textos historiográficos, relacionando as leituras do curso de graduação com o filme apresentado. Isso dificulta a apresentação de resenhas copiadas. Outro cuidado importante, principalmente com alunos do inicio do curso. Preparar anteriormente os alunos com leituras que discutam a construção de estereótipos pela indústria cinematográfica, em filmes históricos. Por exemplo: vilões e mocinhos históricos, esquecendo que os seres humanos possuem tanto características positivas, como negativas. Tentar não julgar os sujeitos históricos com os olhos do presente é um dos muitos exercícios do historiador. Quanto ao referencial teórico, Marc Ferro continua presente. Autores não historiadores são muito utilizados, Humberto Eco, Roland Barthes e Foucault são usados para dar conta das questões da linguagem. Outra via é o uso de pensadores com Walter Benjamin, Adorno e seus colegas. Além das contribuições dos pensadores da área do cinema ou cineastas: Jean Claude Carriêre. Enfim, as abordagens podem ser muitas. Resultados: muito variados! Irá depender menos do empenho do professor (apesar de que isso pesa muito) do que do interesse momentâneo dos alunos. A clientela tem mudado muito e o engajamento dos alunos com a sua formação deixa a desejar. Minha avaliação é que: passa pela cabeça da maioria dos alunos que o lugar no mercado de trabalho é mais um esforço de marketing e relacionamento pessoal do que uma formação sólida...nossa sorte é que sempre existem exceções. Portanto, o mesmo filme, preparado e exibido da mesma forma em turmas variadas, tem auferido resultados, igualmente, muito variados, que vão da euforia e total envolvimento a uma apatia inexplicável. Alguns alunos dormem...outros aplaudem. Escolher bem a produção de acordo com o perfil da turma faz toda a diferença. Não tente passar “Priscila a rainha do deserto” em uma turma composta por agroboys, ou autores muito intelectualizados, com linguagens herméticas para cursos que não envolvam muita erudição em seus currículos.
    (continua no próximo post)

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  16. (terceira e última parte do post de Lúcia)
    3.Ensino de História para Ensino Técnico e EJA.(CEFET-PR e SESI-PR, a partir de 2006) Para esses níveis de ensino o uso de filmes e outros recurso de multimídias funcionam muito bem. Qualquer coisa que saia do “quadro-negro-cuspe-e-giz” faz o maior sucesso. Porém, a escolha do filme adequada ao perfil deverá ser mais cuidadosa, ainda. Como a faixa etária é composta por adolescentes e, no caso da EJA, até por idosos, conteúdos como, p. ex., cenas de sexo, violência gratuita, usos de drogas e/ou apologia ao uso, serão sempre problemática e poderão tomar conta da discussão, em vez do debate principal do filme que o professor deseja abordar. Portanto, é importante levar em conta para quem e com que objetivos escolhemos exibir o filme X ou Y. Nas minhas turmas de ensino médio tenho usado realizar audições de música clássica. Como nossa cultura é muito mais visual do que auditiva utilizo apresentações de orquestras em DVD. Procuro, nesses casos, a melhor caixa de som da escola para reproduzir o som, junto com o data show. Em uma ocasião, estava abordando a Revolta de Vila Rica e a Inconfidência Mineira. Exibi um concerto de música colonial mineira ou Barroco Brasileiro de um autor chamado Lobo de Mesquita. A peça chama-se Salve Regina e bastou uma pesquisa na internet para localizar o assunto e a obra. O autor é um dos mais representativos do contexto. Os alunos adoraram. Quem disse que eles só gostam de funk, pagode ou sertanejo? Com isso pude ampliar o universo cultural de alunos de uma pequena cidade, longe de grandes salas de concertos. Os alunos do EJA, operários de uma fábrica de bobinas, (muitos com mais de 50 anos, em vias de se aposentar) viram 1492, a conquista do paraíso, como quem via um filme de aventuras de marujos atravessando os sete mares. (a preparação da aula é mais do que importante nesses casos) Gostaram tanto que após eu ter passado apenas uma seqüência de cenas, procuraram por conta própria o filme na locadora, assistiram com a família e discutiram com os filhos os assuntos que eu abordei em sala de aula. Isso foi muito positivo! Multiplicou os resultados para além da sala de aula, atingindo outros indivíduos que não apenas aos alunos do curso.

    Enfim, as possibilidades são muitas, tendo em vista o acesso cada vez maior dos produtos culturais por meio da informática. Isso não é difícil e basta apenas respeitar a legislação de direitos autorais, para não se ter problemas. Mesmo assim, o uso de muitas obras no contexto de sala de aula é permitido por alguns autores, ou pelo menos, não é visto com maus olhos. Os resultados são muito compensadores e, nem sempre significam mais trabalho do que a preparação das aulas tradicionais. Pelo menos, são mais estimulantes, não só para os alunos, como também para os professores.

    Espero ter me redimido!
    Um beijo, parabéns pela iniciativa e
    FELIZ ANIVERSÁRIO (adiantado!)
    Lúcia Glicério

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